Márcio Palestrão
13 de junho de 2026 · Copa do Mundo 2026 - Jogo de Estreia
ANCELOTTI É O TITE COM GRIFE — E O BRASIL JÁ VIU ESSE FILME
NOTA: 4/10Melhor em campo
Não Teve
Decepção
Casemiro
“Trocaram o Tite pelo Ancelotti. Mudou o sotaque. O futebol, esse ficou.”
Deixa eu te contar uma história, palestrino. Era uma vez um técnico que chegou à Seleção Brasileira com pompa, com mídia de joelho, com o país inteiro acreditando que dessa vez seria diferente. Ele tinha nome famoso. Tinha currículo. Tinha o respeito do mundo inteiro. E na Copa do Mundo, se agarrou nos velhos, ignorou os jovens, montou uma panela fechada e viu o Brasil tropeçar feio logo na estreia.
Estou falando de Tite. Mas poderia estar falando de Ancelotti. Curioso, não?
O Brasil empatou 1x1 com Marrocos na estreia. Saibari fez o gol africano enquanto a Seleção passeava em campo sem urgência, sem velocidade, sem criatividade. E no banco? Endrick. Aquecendo. Olhando. Esperando uma permissão que nunca veio. Uma cria que vale 60 milhões de euros sentada no banco porque o técnico de grife prefere confiar em quem já conhece. Em quem está no grupo. Na panela.
Soa familiar? Deveria.
Tite fez exatamente isso no Qatar 2022. Neymar acima de tudo, o grupo acima do mérito, a lealdade acima da lógica. Caiu nas quartas para a Croácia e foi embora com a cabeça baixa. O Brasil chorou, prometeu que nunca mais, contratou o italiano mais badalado do mercado e está repetindo o roteiro palavra por palavra. Só mudou o sobrenome no crachá.
E tem mais. Danilo Santos, cria das categorias de base do Palmeiras entrou no segundo tempo e foi um dos melhores em campo. Mais dinâmico, mais intenso, mais disposto do que qualquer titular que estava lá desde o início. A academia do Verdão formando jogador que a Seleção usa quando está desesperada. Registrado. A mídia vai dar crédito ao Palmeiras por isso? Claro que não. Mas eu dou. Aqui tem memória e tem endereço.
Ancelotti é um grande técnico. De clube. De Champions League. De elencos milionários onde o ego dos jogadores é maior que o salário e ele sabe administrar isso. Mas Copa do Mundo não é clube. Copa do Mundo exige coragem. Exige ruptura. Exige colocar o menino de 18 anos que está em forma acima do veterano que está de passagem.
O próximo jogo é contra o Haiti. O Brasil vai ganhar, a mídia vai dizer que o time encontrou o caminho, Ancelotti vai sorrir na coletiva e falar em "processo" e todo mundo vai fingir que a estreia foi apenas um tropeço sem importância. Não foi. Foi um diagnóstico. E o diagnóstico diz: o Brasil está repetindo os erros do passado com um técnico mais caro.
Mas enquanto Endrick estiver no banco e a panela estiver no fogão, minhas esperanças ficam na geladeira.
— Márcio Palestrão
Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco
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