NA LATA
A coluna de Márcio Palestrão
Opinião quente, análise fria. Todo jogo uma coluna sincera de quem ama o futebol e a Sociedade Esportiva Palmeiras.
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ACABOU. HAALAND, A DANÇA E O FIM DE UMA SELEÇÃO QUE JOGAVA DE NOME
Pronto. Acabou. Brasil eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. Derrota por 2x1 para a Noruega. Haaland com dois gols. Neymar convertendo pênalti nos acréscimos para enfeitar o caixão. A pior campanha brasileira em 36 anos — desde 1990, quando a Argentina nos eliminou. Pode anotar na história com tinta vermelha. Mas vamos aos fatos, porque o Márcio Palestrão não chora — o Márcio analisa. E o que vejo me dói mais do que qualquer derrota. Essa Seleção priorizou o quê durante a Copa? Dancinhas. O “Baila Vini”. Viralizar nas redes sociais. Ser pauta de entretenimento. Enquanto Haaland treinava finalização, Vini Jr. treinava coreografia. Enquanto a Noruega estudava as fragilidades defensivas do Brasil, o grupo canarinho estudava o ângulo certo para o próximo vídeo do Instagram. Não estou inventando — estou descrevendo o que o país inteiro assistiu. E o campo cobrou a conta hoje. Bruno Guimarães desperdiçou pênalti no primeiro tempo. O mesmo Bruno que recebeu passe de Rayan e teve chance clara no segundo — parou em Nyland. O mesmo Bruno que saiu de campo dando espaço para Haaland cabecear o primeiro gol em cima da sua marcação. Tecnicamente falando, foi uma noite completa. De erros. Generoso da minha parte destacar só isso. Endrick entrou aos 12 minutos do segundo tempo e foi o melhor em campo — criou, correu, pressionou, teve chance clara que foi para fora por centímetros. Dezenove anos. O menino de dezenove anos foi o único que pareceu entender a urgência da situação. Ancelotti só o colocou quando o jogo já estava amarrado e o tempo correndo. O treinador mais bem pago do futebol mundial demorou para escalar seu melhor jogador em forma. Decisão técnica. Claro. E Neymar. Ai, Neymar. Entrou nos minutos finais, cobrou pênalti nos acréscimos — único momento em que a bola entrou — e vai embora da Copa como sempre: com o número na camisa maior do que a contribuição em campo. Neymar e a Seleção Brasileira se equivalem perfeitamente: vivem do nome, da fama, da narrativa — e não entregam quando o momento exige entrega real. São feitos um para o outro. Infelizmente para o torcedor. A Noruega, diga-se, nunca perdeu para o Brasil em toda a história. Nunca. Quatro jogos, duas derrotas brasileiras, dois empates. E hoje, com Haaland em estado de graça — sete gols na Copa, dividindo artilharia com Messi — a conta chegou com juros. Haaland não dança. Haaland marca gol. Deveria ser lição. Não vai ser. Em 2030 o Brasil completará 28 anos sem título mundial. O maior jejum da história. A mídia vai dizer que foi azar, que o grupo era bom, que Ancelotti precisa de mais tempo. Márcio diz: foi consequência. De uma cultura de Seleção que confunde entretenimento com futebol, celebridade com atleta, dança com garra. O Palmeiras volta em breve. E quando voltar, vai lembrar ao torcedor palestrino o que futebol de verdade parece. Com ou sem Copa do Mundo.
EU VI COPA! O BRASIL SOFREU, RESISTIU E GANHOU — E ISSO TEM NOME
Palestrinos, eu precisava escrever essa coluna ainda com o coração na mão. Brasil 2x1 Japão. Oitavas de final. Gol de Martinelli aos 90+6 minutos. Se você não gritou, não estava assistindo. Se estava assistindo e não gritou, procure um médico. Vamos aos fatos. O Japão fez 1x0 com Sano aos 29 minutos e o Brasil levou um banho de água fria que a torcida precisava. O mesmo Brasil que goleou o Haiti, que começou a acreditar que estava pronto — de repente estava perdendo para o Japão nas oitavas. A mídia que passou a semana vendendo favoritismo absoluto fez silêncio. Márcio Palestrão não fez silêncio — avisou. Sempre aviso. Casemiro empatou aos 56 minutos e o Brasil respirou. Mas respirou mal — aquele tipo de respiração de quem ainda não sabe se vai conseguir. O Japão não recuou, não se rendeu, continuou jogando com organização e intensidade que envergonhou muito time grande que já passou por aqui. Respeito ao Japão. Dito isso — obrigado por ter perdido. E então veio Martinelli. 90+6 minutos. Gol. Explosão. Alívio que parece vitória na final. E sabe o que isso significa, palestrino? Significa que esse Brasil ainda não é uma máquina — é um time que está sendo construído no sufoco, no limite, na raça. E às vezes é exatamente isso que forja um campeão. Não a goleada fácil contra o Haiti. O sofrimento contra o Japão. Ancelotti que anote: esse time tem coração. O que falta ainda é consistência tática, clareza ofensiva e coragem nas substituições. Mas coração — hoje ficou provado que tem. E na Copa do Mundo, coração às vezes vale mais que esquema. A mídia vai vender isso como prova de que o Brasil está pronto para o título. Márcio vende diferente: o Brasil está vivo, está crescendo, está aprendendo — e isso é muito melhor do que estava há duas semanas. Não é o mesmo que estar pronto. Mas é o começo de algo. Que seja o início da construção de um time guerreiro. Que o próximo jogo seja mais bonito. Mas que o resultado seja o mesmo. Avanti Brasil. E avanti Palestra — que formou jogadores que estão brilhando por aí pelo mundo enquanto esperamos o Brasileirão voltar. 💚 — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
MINHA PREVISÃO HOJE BRASIL X HAITI: PLACAR BONITO, VERDADE FEIA
Hoje o Brasil joga contra o Haiti. O Haiti. Uma seleção que está na Copa do Mundo pela primeira vez em décadas, com jogadores que atuam em ligas que você nunca ouviu falar, com orçamento menor que o salário mensal de um reserva do Palmeiras. Não estou diminuindo o Haiti estou contextualizando o que vai acontecer hoje à noite. O Brasil vai ganhar. Provavelmente vai ganhar bem. Vini Jr vai fazer gol, a torcida vai explodir, Ancelotti vai sorrir na beira do campo com aquele ar de quem sempre soube o que estava fazendo e a Globo vai passar o intervalo inteiro dizendo que o time "voltou a jogar". Anota aí. Já vou avisando: goleada contra o Haiti não apaga absolutamente nada. O 1x1 contra Marrocos não some porque o Brasil marcou quatro vezes numa seleção que mal se classifica para a Copa. Isso não é evolução tática. Isso é hierarquia de qualidade. É o que deveria acontecer. Obrigação, não mérito. A pergunta que importa hoje não é "quantos o Brasil faz". A pergunta é: Ancelotti vai ter coragem de escalar diferente? Vai colocar Endrick desde o início? Vai dar minutos para quem está em forma ao invés de proteger os medalhões que decepcionaram contra Marrocos? Ou vai repetir a escalação, ganhar fácil, e usar a goleada como justificativa para não mudar nada? Apostem no segundo cenário. Eu aposto. E tem mais uma coisa que a mídia não vai falar: o próximo jogo após o Haiti é contra a Escócia que dependendo dos resultados pode vir com tudo para se classificar. Se o Brasil chegar nesse jogo ainda com a mesma fragilidade tática que mostrou contra Marrocos, a goleada de hoje vai parecer um conto de fadas muito curto. Então aproveite a festa de hoje. Curta os gols. Grite com a torcida. Mas quando o último apito tocar e a mídia começar a decretar que o Brasil está de volta lembre do que o Márcio disse aqui, antes do jogo, sem ver um chute: Placar bonito. Verdade feia. Nos vemos no pós-jogo. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco
PALMEIRAS POS COPA: O VERDÃO QUE SAI, O VERDÃO QUE CHEGA
A Copa do Mundo ainda não acabou e o mercado da bola já está fervendo como panela de pressão em dia de clássico. O Verdão, como sempre, aparece no centro das especulações, saídas que doem, chegadas que animam, e aquela velha dança de nomes que a imprensa adora empurrar goela abaixo antes de qualquer contrato assinado. Márcio Palestrão está aqui para organizar esse caos. De graça. Por amor ao Verdão. AS SAÍDAS — e o que elas significam Vamos começar pelo que dói. Flaco López para o Atlético de Madrid. O centroavante argentino que chegou quase sem alarde em 2023 e conquistou a torcida gol a gol, lance a lance, entrega a entrega, agora desperta o interesse de um dos maiores clubes da Europa. Atlético de Madrid não é qualquer coisa. É Diego Simeone. É intensidade. É exatamente o perfil do Flaco. Se a venda se confirmar, dói mas é a confirmação de que o Palmeiras revelou mais um jogador de alto nível. O Verdão transforma. Sempre transformou. Maurício para o futebol árabe. Aqui o Márcio precisa ser honesto, não muda jogo, não vai fazer falta. Murilo para o Galatasaray da Turquia. Zagueiro sólido, experiente, campeão pelo Verdão. A Turquia é uma liga competitiva, o Galatasaray é Champions League recorrente. Para Murilo é uma oportunidade real de exposição europeia. AS CHEGADAS — e o que elas prometem Agora o que anima. Almada vindo do Atlético de Madrid. Meia argentino de qualidade técnica comprovada, com passagem pela MLS e pelo futebol espanhol. Criativo, com boa visão de jogo, capaz de jogar por dentro ou pelos lados. Se essa contratação se confirmar, é um sinal claro de que o Abel Ferreira quer manter o nível e não aceita retroceder com as saídas. Almada seria exatamente o tipo de reposição qualificada que o torcedor exige. Veremos se sai do papel. Gabriel Jesus vindo do Arsenal. Aqui o Márcio para, respira, e pede calma. Gabriel Jesus é palmeirense de coração — isso ninguém tira. Saiu daqui para o Manchester City, foi para o Arsenal, viveu altos e baixos, conviveu com lesões. Mas quando está bem, é um atacante diferenciado movimentação intensa, pressing, capacidade de jogar pelos lados ou centralizado. Se chegar com saúde e motivação, pode ser o grande nome do mercado. Se chegar como jogador em fim de ciclo buscando aposentadoria dourada… aí a conversa muda. O nome é grande. A expectativa, maior ainda. E expectativa no futebol é faca de dois gumes. Gregore ex-Botafogo vindo do Al-Rayyan. Volante raçudo, campeão brasileiro e da Libertadores pelo Botafogo em 2024. Perfil de jogador que o Palmeiras sempre soube usar bem: disciplinado taticamente, forte na marcação, não inventa. O Palmeiras de 2026 está em um momento delicado e empolgante ao mesmo tempo — que é exatamente como o Verdão gosta de viver. Perde peças importantes, mas busca reposições de nível. Se Almada e Gabriel Jesus chegarem em forma, e se Gregore e as contratações de base complementarem bem o elenco, o Abel tem material para brigar em todas as frentes no segundo semestre. Avanti Palestra. — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
ANCELOTTI É O TITE COM GRIFE — E O BRASIL JÁ VIU ESSE FILME
Deixa eu te contar uma história, palestrino. Era uma vez um técnico que chegou à Seleção Brasileira com pompa, com mídia de joelho, com o país inteiro acreditando que dessa vez seria diferente. Ele tinha nome famoso. Tinha currículo. Tinha o respeito do mundo inteiro. E na Copa do Mundo, se agarrou nos velhos, ignorou os jovens, montou uma panela fechada e viu o Brasil tropeçar feio logo na estreia. Estou falando de Tite. Mas poderia estar falando de Ancelotti. Curioso, não? O Brasil empatou 1x1 com Marrocos na estreia. Saibari fez o gol africano enquanto a Seleção passeava em campo sem urgência, sem velocidade, sem criatividade. E no banco? Endrick. Aquecendo. Olhando. Esperando uma permissão que nunca veio. Uma cria que vale 60 milhões de euros sentada no banco porque o técnico de grife prefere confiar em quem já conhece. Em quem está no grupo. Na panela. Soa familiar? Deveria. Tite fez exatamente isso no Qatar 2022. Neymar acima de tudo, o grupo acima do mérito, a lealdade acima da lógica. Caiu nas quartas para a Croácia e foi embora com a cabeça baixa. O Brasil chorou, prometeu que nunca mais, contratou o italiano mais badalado do mercado e está repetindo o roteiro palavra por palavra. Só mudou o sobrenome no crachá. E tem mais. Danilo Santos, cria das categorias de base do Palmeiras entrou no segundo tempo e foi um dos melhores em campo. Mais dinâmico, mais intenso, mais disposto do que qualquer titular que estava lá desde o início. A academia do Verdão formando jogador que a Seleção usa quando está desesperada. Registrado. A mídia vai dar crédito ao Palmeiras por isso? Claro que não. Mas eu dou. Aqui tem memória e tem endereço. Ancelotti é um grande técnico. De clube. De Champions League. De elencos milionários onde o ego dos jogadores é maior que o salário e ele sabe administrar isso. Mas Copa do Mundo não é clube. Copa do Mundo exige coragem. Exige ruptura. Exige colocar o menino de 18 anos que está em forma acima do veterano que está de passagem. O próximo jogo é contra o Haiti. O Brasil vai ganhar, a mídia vai dizer que o time encontrou o caminho, Ancelotti vai sorrir na coletiva e falar em "processo" e todo mundo vai fingir que a estreia foi apenas um tropeço sem importância. Não foi. Foi um diagnóstico. E o diagnóstico diz: o Brasil está repetindo os erros do passado com um técnico mais caro. Mas enquanto Endrick estiver no banco e a panela estiver no fogão, minhas esperanças ficam na geladeira. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco
BRASIL 1x1 MARROCOS: ESTREIA QUE ENVERGONHA O HEXA
Pois é, palestrinos. O Brasil de Ancelotti veio para a Copa do Mundo 2026 com toda a pompa, toda a expectativa, toda a mídia de joelho — e saiu de campo com um 1 a 1 contra Marrocos. Marrocos. O mesmo Marrocos que a Globo passou a semana inteira dizendo que seria "um adversário acessível para o Brasil esquentar". Acessível. Interessante escolha de palavra. Taticamente, foi um espetáculo. De mediocridade. O Brasil tocou, tocou, tocou — e não chegou a lugar nenhum. Criatividade? Ausente. Coragem? Nem o cheiro. Ancelotti se agarrou nos medalhões como se Copa do Mundo fosse prêmio por tempo de serviço. Enquanto Endrick aquecia no banco com aquela velocidade que poderia ter mudado o jogo, o técnico preferia insistir no que claramente não funcionava. Decisão técnica, dizem. Hm. Deve ser. Vini Jr foi o único que tentou criar algo, praticamente sozinho contra o mundo — e graças a ele o Brasil ao menos não foi humilhado com uma derrota. Saibari fez o gol marroquino e por alguns minutos o Brasil olhou para o abismo. O empate veio, sim. Mas empate com Marrocos na estreia não é resultado — é um recado. Um recado que Ancelotti vai fingir que não recebeu na próxima coletiva. Que ele vai chamar de "processo". Processo. Adoro esse palavrão do futebol. E já que estamos aqui — Danilo Santos, ex-Palmeiras, entrou no segundo tempo pela Seleção e foi um dos melhores em campo. Curioso, não? O menino que passou pelo Verdão mostrando mais garra que metade do time titular. A mídia vai noticiar isso com destaque? Não. Mas eu notifico. Aqui tem memória. Próximo jogo contra o Haiti. Que o Brasil vença com placar elástico e que Ancelotti encontre a coragem que faltou hoje. Endrick precisa jogar. O time precisa de sangue novo. O torcedor merece mais do que esse futebol de aposentadoria. A Copa perdoa uma vez. Só uma. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco