NA LATA
A coluna de Márcio Palestrão
Opinião quente, análise fria. Todo jogo uma coluna sincera de quem ama o futebol e a Sociedade Esportiva Palmeiras.
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ABEL FALOU. QUEM TIVER OUVIDOS, QUE OUÇA
Palmeiras 3x0 Fortaleza. Copa do Brasil, jogo de ida das oitavas. O Palmeiras fez um bom segundo tempo diante do Fortaleza e garantiu uma boa vantagem, apesar de uma primeira etapa abaixo do esperado e com dificuldades impostas pelo rival.  Resultado construído, vantagem confortável para o jogo de volta. Futebol feito. Mas não é do jogo que o Márcio quer falar hoje. É do que Abel disse depois. Abel Ferreira se mostrou contente com o resultado e com o desempenho em campo, e detalhou a conversa no vestiário durante o intervalo da partida. O treinador afirmou que pediu para que os atletas se aproximassem, para evitar inferioridade numérica na parte ofensiva, e ressaltou a importância dos atletas correrem bem para ocuparem os espaços certos na finalização.  Isso é Abel sendo Abel — técnico que ajusta, que corrige, que não aceita mediocridade mesmo quando está ganhando. Pausa. Respira. Lê de novo. Abel não está pedindo palmas. Abel não está pedindo que o torcedor feche os olhos para os erros do time. Abel está fazendo um alerta que quem viveu 2025 entende na pele — quando narrativas construídas fora de campo, alimentadas por uma mídia que torce contra o Verdão, conseguiram criar um ambiente de desconfiança entre torcida e clube que prejudicou a temporada dentro das quatro linhas. E Márcio Palestrão vai ser direto: o mesmo processo já começou em 2026. Já tem gente falando que o Palmeiras “se beneficiou das expulsões” contra o Vitória. Já tem quem diga que o 3x0 de hoje foi “contra um Fortaleza que não quis jogar”. Já tem a narrativa sendo costurada, fio por fio, por quem não aguenta ver o Verdão na liderança com 47 pontos e oito de vantagem. “As pessoas agora querem criar a narrativa de que o Palmeiras desistiu. Não foi o Palmeiras que desistiu.”  Abel disse isso em outro momento — mas poderia dizer hoje, amanhã e depois. Porque a narrativa muda de roupa toda temporada, mas o objetivo é sempre o mesmo: desestabilizar, dividir, enfraquecer. “O Palmeiras em todas as competições que entra, não há como, entra para ganhar. Entra para competir e para ganhar”,  disse Abel. E completou com algo que o Márcio carrega no coração: “Eu tenho uma equipe de guerreiros. Tenho uma equipe onde todos metem os interesses da equipe acima dos interesses individuais.”  Guerreiros precisam de uma torcida que também seja guerreira. Que não ceda à narrativa fácil. Que não compartilhe o print descontextualizado. Que não vaia o próprio time quando a mídia está torcendo para isso acontecer. O Palmeiras é líder do Brasileirão. Está nas oitavas da Copa do Brasil com 3x0 de vantagem. Tem o melhor técnico que já passou pelo futebol brasileiro. E tem uma torcida que quando está unida é invencível. Abel falou. Cabe a nós ouvir. Avanti Palestra. Unidos. Sempre. — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
VITÓRIA 0X4 PALMEIRAS: GOLEADA REAL, NARRATIVA ARMADA
Vamos aos fatos, palestrinos. Vitória 0x4 Palmeiras no Barradão. Gols de Maurício, contra de Fabiano, Jhon Arias e Ramón Sosa.  Palmeiras chegou a 47 pontos e abriu oito de vantagem para o vice-líder Flamengo, que empatou com o Internacional na rodada.  Lindo. Maravilhoso. Agora vem a parte que o Márcio precisa falar — porque a mídia não vai falar. Antes das expulsões de Cacá e Luan Cândido, o time do Vitória reclamou de um lance em que o árbitro mostrou apenas cartão amarelo para Maurício por uma cotovelada em Cacá. Pouco depois, o árbitro foi chamado pelo VAR em duas oportunidades para expulsar os zagueiros do Leão, aos 36 e 39 minutos do primeiro tempo.  Dois zagueiros expulsos em três minutos. Dois. No primeiro tempo. E agora vem a pergunta que a mídia vai fazer — que já está fazendo, que vai repetir durante dias: “Mas o Palmeiras se beneficiou das expulsões, não?” Sim. Se beneficiou. Como qualquer time do mundo se beneficia quando o adversário fica com nove. Isso se chama futebol. Isso se chama consequência de entrada faltosa em cima de Jhon Arias. Isso se chama VAR funcionando — justamente o VAR que a mídia adora quando prejudica o Verdão e detesta quando é o contrário. E aqui o Márcio puxa a memória que a grande imprensa prefere deixar guardada. Lembram do clássico contra o São Paulo ano passado? Palmeiras venceu de virada por 3x2 numa partida com polêmica de arbitragem. O que aconteceu depois? Dias de manchete. Semanas de análise. GE, UOL, Globo Esporte — todos com o microscópio apontado para o Verdão. “Palmeiras favorecido.” “Arbitragem suspeita.” “VAR beneficiou o líder.” Mas quando o São Paulo, o Flamengo, o Corinthians ganham com pênalti duvidoso, com expulsão questionável do adversário, com VAR omisso? Silêncio. Análise técnica. “Faz parte do jogo.” Dois pesos. Duas medidas. Um único alvo: o Palmeiras. Jhon Arias foi o principal destaque da partida, marcou um golaço e comandou as ações ofensivas da equipe enquanto esteve em campo no Barradão.  Colombiano contratado pelo Verdão, ex-Fluminense, que a mídia carioca amava quando jogava lá e agora convenientemente ignora. Abel Ferreira aproveitou para rodar o elenco e evitar possíveis expulsões  no segundo tempo — inteligência tática que um técnico mediano não teria. Mas isso também não vai virar pauta. O que vai virar pauta? As expulsões do Vitória. O “Palmeiras aproveitou o número.” Como se aproveitou fosse pecado. Como se o Flamengo não aproveitasse. Como se o Corinthians não aproveitasse. Como se qualquer clube do mundo não aproveitasse. Palmeiras lidera com 47 pontos, oito à frente do segundo. Melhor campanha da história. Abel Ferreira construindo algo histórico em silêncio, enquanto a mídia espera o primeiro tropeço para gritar. Márcio Palestrão não espera. Márcio registra agora, antes da narrativa ser montada: Esse Palmeiras é bom. Muito bom. E isso incomoda muita gente em muitos estúdios de televisão. Avanti Palestra. — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
ACABOU. HAALAND, A DANÇA E O FIM DE UMA SELEÇÃO QUE JOGAVA DE NOME
Pronto. Acabou. Brasil eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. Derrota por 2x1 para a Noruega. Haaland com dois gols. Neymar convertendo pênalti nos acréscimos para enfeitar o caixão. A pior campanha brasileira em 36 anos — desde 1990, quando a Argentina nos eliminou. Pode anotar na história com tinta vermelha. Mas vamos aos fatos, porque o Márcio Palestrão não chora — o Márcio analisa. E o que vejo me dói mais do que qualquer derrota. Essa Seleção priorizou o quê durante a Copa? Dancinhas. O “Baila Vini”. Viralizar nas redes sociais. Ser pauta de entretenimento. Enquanto Haaland treinava finalização, Vini Jr. treinava coreografia. Enquanto a Noruega estudava as fragilidades defensivas do Brasil, o grupo canarinho estudava o ângulo certo para o próximo vídeo do Instagram. Não estou inventando — estou descrevendo o que o país inteiro assistiu. E o campo cobrou a conta hoje. Bruno Guimarães desperdiçou pênalti no primeiro tempo. O mesmo Bruno que recebeu passe de Rayan e teve chance clara no segundo — parou em Nyland. O mesmo Bruno que saiu de campo dando espaço para Haaland cabecear o primeiro gol em cima da sua marcação. Tecnicamente falando, foi uma noite completa. De erros. Generoso da minha parte destacar só isso. Endrick entrou aos 12 minutos do segundo tempo e foi o melhor em campo — criou, correu, pressionou, teve chance clara que foi para fora por centímetros. Dezenove anos. O menino de dezenove anos foi o único que pareceu entender a urgência da situação. Ancelotti só o colocou quando o jogo já estava amarrado e o tempo correndo. O treinador mais bem pago do futebol mundial demorou para escalar seu melhor jogador em forma. Decisão técnica. Claro. E Neymar. Ai, Neymar. Entrou nos minutos finais, cobrou pênalti nos acréscimos — único momento em que a bola entrou — e vai embora da Copa como sempre: com o número na camisa maior do que a contribuição em campo. Neymar e a Seleção Brasileira se equivalem perfeitamente: vivem do nome, da fama, da narrativa — e não entregam quando o momento exige entrega real. São feitos um para o outro. Infelizmente para o torcedor. A Noruega, diga-se, nunca perdeu para o Brasil em toda a história. Nunca. Quatro jogos, duas derrotas brasileiras, dois empates. E hoje, com Haaland em estado de graça — sete gols na Copa, dividindo artilharia com Messi — a conta chegou com juros. Haaland não dança. Haaland marca gol. Deveria ser lição. Não vai ser. Em 2030 o Brasil completará 28 anos sem título mundial. O maior jejum da história. A mídia vai dizer que foi azar, que o grupo era bom, que Ancelotti precisa de mais tempo. Márcio diz: foi consequência. De uma cultura de Seleção que confunde entretenimento com futebol, celebridade com atleta, dança com garra. O Palmeiras volta em breve. E quando voltar, vai lembrar ao torcedor palestrino o que futebol de verdade parece. Com ou sem Copa do Mundo.
EU VI COPA! O BRASIL SOFREU, RESISTIU E GANHOU — E ISSO TEM NOME
Palestrinos, eu precisava escrever essa coluna ainda com o coração na mão. Brasil 2x1 Japão. Oitavas de final. Gol de Martinelli aos 90+6 minutos. Se você não gritou, não estava assistindo. Se estava assistindo e não gritou, procure um médico. Vamos aos fatos. O Japão fez 1x0 com Sano aos 29 minutos e o Brasil levou um banho de água fria que a torcida precisava. O mesmo Brasil que goleou o Haiti, que começou a acreditar que estava pronto — de repente estava perdendo para o Japão nas oitavas. A mídia que passou a semana vendendo favoritismo absoluto fez silêncio. Márcio Palestrão não fez silêncio — avisou. Sempre aviso. Casemiro empatou aos 56 minutos e o Brasil respirou. Mas respirou mal — aquele tipo de respiração de quem ainda não sabe se vai conseguir. O Japão não recuou, não se rendeu, continuou jogando com organização e intensidade que envergonhou muito time grande que já passou por aqui. Respeito ao Japão. Dito isso — obrigado por ter perdido. E então veio Martinelli. 90+6 minutos. Gol. Explosão. Alívio que parece vitória na final. E sabe o que isso significa, palestrino? Significa que esse Brasil ainda não é uma máquina — é um time que está sendo construído no sufoco, no limite, na raça. E às vezes é exatamente isso que forja um campeão. Não a goleada fácil contra o Haiti. O sofrimento contra o Japão. Ancelotti que anote: esse time tem coração. O que falta ainda é consistência tática, clareza ofensiva e coragem nas substituições. Mas coração — hoje ficou provado que tem. E na Copa do Mundo, coração às vezes vale mais que esquema. A mídia vai vender isso como prova de que o Brasil está pronto para o título. Márcio vende diferente: o Brasil está vivo, está crescendo, está aprendendo — e isso é muito melhor do que estava há duas semanas. Não é o mesmo que estar pronto. Mas é o começo de algo. Que seja o início da construção de um time guerreiro. Que o próximo jogo seja mais bonito. Mas que o resultado seja o mesmo. Avanti Brasil. E avanti Palestra — que formou jogadores que estão brilhando por aí pelo mundo enquanto esperamos o Brasileirão voltar. 💚 — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
MINHA PREVISÃO HOJE BRASIL X HAITI: PLACAR BONITO, VERDADE FEIA
Hoje o Brasil joga contra o Haiti. O Haiti. Uma seleção que está na Copa do Mundo pela primeira vez em décadas, com jogadores que atuam em ligas que você nunca ouviu falar, com orçamento menor que o salário mensal de um reserva do Palmeiras. Não estou diminuindo o Haiti estou contextualizando o que vai acontecer hoje à noite. O Brasil vai ganhar. Provavelmente vai ganhar bem. Vini Jr vai fazer gol, a torcida vai explodir, Ancelotti vai sorrir na beira do campo com aquele ar de quem sempre soube o que estava fazendo e a Globo vai passar o intervalo inteiro dizendo que o time "voltou a jogar". Anota aí. Já vou avisando: goleada contra o Haiti não apaga absolutamente nada. O 1x1 contra Marrocos não some porque o Brasil marcou quatro vezes numa seleção que mal se classifica para a Copa. Isso não é evolução tática. Isso é hierarquia de qualidade. É o que deveria acontecer. Obrigação, não mérito. A pergunta que importa hoje não é "quantos o Brasil faz". A pergunta é: Ancelotti vai ter coragem de escalar diferente? Vai colocar Endrick desde o início? Vai dar minutos para quem está em forma ao invés de proteger os medalhões que decepcionaram contra Marrocos? Ou vai repetir a escalação, ganhar fácil, e usar a goleada como justificativa para não mudar nada? Apostem no segundo cenário. Eu aposto. E tem mais uma coisa que a mídia não vai falar: o próximo jogo após o Haiti é contra a Escócia que dependendo dos resultados pode vir com tudo para se classificar. Se o Brasil chegar nesse jogo ainda com a mesma fragilidade tática que mostrou contra Marrocos, a goleada de hoje vai parecer um conto de fadas muito curto. Então aproveite a festa de hoje. Curta os gols. Grite com a torcida. Mas quando o último apito tocar e a mídia começar a decretar que o Brasil está de volta lembre do que o Márcio disse aqui, antes do jogo, sem ver um chute: Placar bonito. Verdade feia. Nos vemos no pós-jogo. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco
PALMEIRAS POS COPA: O VERDÃO QUE SAI, O VERDÃO QUE CHEGA
A Copa do Mundo ainda não acabou e o mercado da bola já está fervendo como panela de pressão em dia de clássico. O Verdão, como sempre, aparece no centro das especulações, saídas que doem, chegadas que animam, e aquela velha dança de nomes que a imprensa adora empurrar goela abaixo antes de qualquer contrato assinado. Márcio Palestrão está aqui para organizar esse caos. De graça. Por amor ao Verdão. AS SAÍDAS — e o que elas significam Vamos começar pelo que dói. Flaco López para o Atlético de Madrid. O centroavante argentino que chegou quase sem alarde em 2023 e conquistou a torcida gol a gol, lance a lance, entrega a entrega, agora desperta o interesse de um dos maiores clubes da Europa. Atlético de Madrid não é qualquer coisa. É Diego Simeone. É intensidade. É exatamente o perfil do Flaco. Se a venda se confirmar, dói mas é a confirmação de que o Palmeiras revelou mais um jogador de alto nível. O Verdão transforma. Sempre transformou. Maurício para o futebol árabe. Aqui o Márcio precisa ser honesto, não muda jogo, não vai fazer falta. Murilo para o Galatasaray da Turquia. Zagueiro sólido, experiente, campeão pelo Verdão. A Turquia é uma liga competitiva, o Galatasaray é Champions League recorrente. Para Murilo é uma oportunidade real de exposição europeia. AS CHEGADAS — e o que elas prometem Agora o que anima. Almada vindo do Atlético de Madrid. Meia argentino de qualidade técnica comprovada, com passagem pela MLS e pelo futebol espanhol. Criativo, com boa visão de jogo, capaz de jogar por dentro ou pelos lados. Se essa contratação se confirmar, é um sinal claro de que o Abel Ferreira quer manter o nível e não aceita retroceder com as saídas. Almada seria exatamente o tipo de reposição qualificada que o torcedor exige. Veremos se sai do papel. Gabriel Jesus vindo do Arsenal. Aqui o Márcio para, respira, e pede calma. Gabriel Jesus é palmeirense de coração — isso ninguém tira. Saiu daqui para o Manchester City, foi para o Arsenal, viveu altos e baixos, conviveu com lesões. Mas quando está bem, é um atacante diferenciado movimentação intensa, pressing, capacidade de jogar pelos lados ou centralizado. Se chegar com saúde e motivação, pode ser o grande nome do mercado. Se chegar como jogador em fim de ciclo buscando aposentadoria dourada… aí a conversa muda. O nome é grande. A expectativa, maior ainda. E expectativa no futebol é faca de dois gumes. Gregore ex-Botafogo vindo do Al-Rayyan. Volante raçudo, campeão brasileiro e da Libertadores pelo Botafogo em 2024. Perfil de jogador que o Palmeiras sempre soube usar bem: disciplinado taticamente, forte na marcação, não inventa. O Palmeiras de 2026 está em um momento delicado e empolgante ao mesmo tempo — que é exatamente como o Verdão gosta de viver. Perde peças importantes, mas busca reposições de nível. Se Almada e Gabriel Jesus chegarem em forma, e se Gregore e as contratações de base complementarem bem o elenco, o Abel tem material para brigar em todas as frentes no segundo semestre. Avanti Palestra. — Márcio Palestrão Coluna “Na Lata” · Palmeiras em Foco
ANCELOTTI É O TITE COM GRIFE — E O BRASIL JÁ VIU ESSE FILME
Deixa eu te contar uma história, palestrino. Era uma vez um técnico que chegou à Seleção Brasileira com pompa, com mídia de joelho, com o país inteiro acreditando que dessa vez seria diferente. Ele tinha nome famoso. Tinha currículo. Tinha o respeito do mundo inteiro. E na Copa do Mundo, se agarrou nos velhos, ignorou os jovens, montou uma panela fechada e viu o Brasil tropeçar feio logo na estreia. Estou falando de Tite. Mas poderia estar falando de Ancelotti. Curioso, não? O Brasil empatou 1x1 com Marrocos na estreia. Saibari fez o gol africano enquanto a Seleção passeava em campo sem urgência, sem velocidade, sem criatividade. E no banco? Endrick. Aquecendo. Olhando. Esperando uma permissão que nunca veio. Uma cria que vale 60 milhões de euros sentada no banco porque o técnico de grife prefere confiar em quem já conhece. Em quem está no grupo. Na panela. Soa familiar? Deveria. Tite fez exatamente isso no Qatar 2022. Neymar acima de tudo, o grupo acima do mérito, a lealdade acima da lógica. Caiu nas quartas para a Croácia e foi embora com a cabeça baixa. O Brasil chorou, prometeu que nunca mais, contratou o italiano mais badalado do mercado e está repetindo o roteiro palavra por palavra. Só mudou o sobrenome no crachá. E tem mais. Danilo Santos, cria das categorias de base do Palmeiras entrou no segundo tempo e foi um dos melhores em campo. Mais dinâmico, mais intenso, mais disposto do que qualquer titular que estava lá desde o início. A academia do Verdão formando jogador que a Seleção usa quando está desesperada. Registrado. A mídia vai dar crédito ao Palmeiras por isso? Claro que não. Mas eu dou. Aqui tem memória e tem endereço. Ancelotti é um grande técnico. De clube. De Champions League. De elencos milionários onde o ego dos jogadores é maior que o salário e ele sabe administrar isso. Mas Copa do Mundo não é clube. Copa do Mundo exige coragem. Exige ruptura. Exige colocar o menino de 18 anos que está em forma acima do veterano que está de passagem. O próximo jogo é contra o Haiti. O Brasil vai ganhar, a mídia vai dizer que o time encontrou o caminho, Ancelotti vai sorrir na coletiva e falar em "processo" e todo mundo vai fingir que a estreia foi apenas um tropeço sem importância. Não foi. Foi um diagnóstico. E o diagnóstico diz: o Brasil está repetindo os erros do passado com um técnico mais caro. Mas enquanto Endrick estiver no banco e a panela estiver no fogão, minhas esperanças ficam na geladeira. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco
BRASIL 1x1 MARROCOS: ESTREIA QUE ENVERGONHA O HEXA
Pois é, palestrinos. O Brasil de Ancelotti veio para a Copa do Mundo 2026 com toda a pompa, toda a expectativa, toda a mídia de joelho — e saiu de campo com um 1 a 1 contra Marrocos. Marrocos. O mesmo Marrocos que a Globo passou a semana inteira dizendo que seria "um adversário acessível para o Brasil esquentar". Acessível. Interessante escolha de palavra. Taticamente, foi um espetáculo. De mediocridade. O Brasil tocou, tocou, tocou — e não chegou a lugar nenhum. Criatividade? Ausente. Coragem? Nem o cheiro. Ancelotti se agarrou nos medalhões como se Copa do Mundo fosse prêmio por tempo de serviço. Enquanto Endrick aquecia no banco com aquela velocidade que poderia ter mudado o jogo, o técnico preferia insistir no que claramente não funcionava. Decisão técnica, dizem. Hm. Deve ser. Vini Jr foi o único que tentou criar algo, praticamente sozinho contra o mundo — e graças a ele o Brasil ao menos não foi humilhado com uma derrota. Saibari fez o gol marroquino e por alguns minutos o Brasil olhou para o abismo. O empate veio, sim. Mas empate com Marrocos na estreia não é resultado — é um recado. Um recado que Ancelotti vai fingir que não recebeu na próxima coletiva. Que ele vai chamar de "processo". Processo. Adoro esse palavrão do futebol. E já que estamos aqui — Danilo Santos, ex-Palmeiras, entrou no segundo tempo pela Seleção e foi um dos melhores em campo. Curioso, não? O menino que passou pelo Verdão mostrando mais garra que metade do time titular. A mídia vai noticiar isso com destaque? Não. Mas eu notifico. Aqui tem memória. Próximo jogo contra o Haiti. Que o Brasil vença com placar elástico e que Ancelotti encontre a coragem que faltou hoje. Endrick precisa jogar. O time precisa de sangue novo. O torcedor merece mais do que esse futebol de aposentadoria. A Copa perdoa uma vez. Só uma. — Márcio Palestrão Coluna "Na Lata" · Palmeiras em Foco