Márcio Palestrão
07 de julho de 2026 · Copa do Mundo 2026 — Oitavas de Final
ACABOU. HAALAND, A DANÇA E O FIM DE UMA SELEÇÃO QUE JOGAVA DE NOME
NOTA: —/10Melhor em campo
Haaland
Decepção
Ancelotti
“A Seleção Brasileira saiu da Copa do Mundo dançando. Literalmente. O problema é que dançou fora do campo mais do que dentro.”
Pronto. Acabou. Brasil eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. Derrota por 2x1 para a Noruega. Haaland com dois gols. Neymar convertendo pênalti nos acréscimos para enfeitar o caixão. A pior campanha brasileira em 36 anos — desde 1990, quando a Argentina nos eliminou. Pode anotar na história com tinta vermelha.
Mas vamos aos fatos, porque o Márcio Palestrão não chora — o Márcio analisa. E o que vejo me dói mais do que qualquer derrota.
Essa Seleção priorizou o quê durante a Copa? Dancinhas. O “Baila Vini”. Viralizar nas redes sociais. Ser pauta de entretenimento. Enquanto Haaland treinava finalização, Vini Jr. treinava coreografia. Enquanto a Noruega estudava as fragilidades defensivas do Brasil, o grupo canarinho estudava o ângulo certo para o próximo vídeo do Instagram. Não estou inventando — estou descrevendo o que o país inteiro assistiu. E o campo cobrou a conta hoje.
Bruno Guimarães desperdiçou pênalti no primeiro tempo. O mesmo Bruno que recebeu passe de Rayan e teve chance clara no segundo — parou em Nyland. O mesmo Bruno que saiu de campo dando espaço para Haaland cabecear o primeiro gol em cima da sua marcação. Tecnicamente falando, foi uma noite completa. De erros. Generoso da minha parte destacar só isso.
Endrick entrou aos 12 minutos do segundo tempo e foi o melhor em campo — criou, correu, pressionou, teve chance clara que foi para fora por centímetros. Dezenove anos. O menino de dezenove anos foi o único que pareceu entender a urgência da situação. Ancelotti só o colocou quando o jogo já estava amarrado e o tempo correndo. O treinador mais bem pago do futebol mundial demorou para escalar seu melhor jogador em forma. Decisão técnica. Claro.
E Neymar. Ai, Neymar. Entrou nos minutos finais, cobrou pênalti nos acréscimos — único momento em que a bola entrou — e vai embora da Copa como sempre: com o número na camisa maior do que a contribuição em campo. Neymar e a Seleção Brasileira se equivalem perfeitamente: vivem do nome, da fama, da narrativa — e não entregam quando o momento exige entrega real. São feitos um para o outro. Infelizmente para o torcedor.
A Noruega, diga-se, nunca perdeu para o Brasil em toda a história. Nunca. Quatro jogos, duas derrotas brasileiras, dois empates. E hoje, com Haaland em estado de graça — sete gols na Copa, dividindo artilharia com Messi — a conta chegou com juros. Haaland não dança. Haaland marca gol. Deveria ser lição. Não vai ser.
Em 2030 o Brasil completará 28 anos sem título mundial. O maior jejum da história. A mídia vai dizer que foi azar, que o grupo era bom, que Ancelotti precisa de mais tempo. Márcio diz: foi consequência. De uma cultura de Seleção que confunde entretenimento com futebol, celebridade com atleta, dança com garra.
O Palmeiras volta em breve. E quando voltar, vai lembrar ao torcedor palestrino o que futebol de verdade parece. Com ou sem Copa do Mundo.
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